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terça-feira, março 15, 2011

Passo a publicidade...

Porque nos tempos que correm, o difícil é mantermo-nos fiéis àquilo em que acreditamos e arriscarmos, procurarmos, inventarmos...sem sermos subservientes em relação aos Media, às Redes Sociais, aos Comentadores de Opinião fácil...sem sermos, afinal, apenas mais um do Rebanho de tresmalhados que serve de presa fácil a uma classe política sem classe, que nos enjeita com a mesma facilidade com que agora nos eleva a bandeira! Não podemos esperar milagres de um país que está, todo ele, à rasca! Há que promover, isso sim, uma verdadeira revolução de mentalidades, a nossa incluída!!!




segunda-feira, fevereiro 21, 2011

De malas aviadas... para a vida!





Reticências


Arrumar a vida, pôr prateleiras na vontade e na acção. 
Quero fazer isto agora, como sempre quis, com o mesmo resultado; 
Mas que bom ter o propósito claro, firme só na clareza, de fazer qualquer coisa! 
Vou fazer as malas para o Definitivo, 
Organizar Álvaro de Campos, 
E amanhã ficar na mesma coisa que antes de ontem — um antes de ontem que é sempre... 
Sorrio do conhecimento antecipado da coisa-nenhuma que serei. 
Sorrio ao menos; sempre é alguma coisa o sorrir... 
Produtos românticos, nós todos... 
E se não fôssemos produtos românticos, se calhar não seríamos nada. 
Assim se faz a literatura... 
Santos Deuses, assim até se faz a vida! 
Os outros também são românticos, 
Os outros também não realizam nada, e são ricos e pobres, 
Os outros também levam a vida a olhar para as malas a arrumar, 
Os outros também dormem ao lado dos papéis meio compostos, 
Os outros também são eu. 
Vendedeira da rua cantando o teu pregão como um hino inconsciente, 
Rodinha dentada na relojoaria da economia política, 
Mãe, presente ou futura, de mortos no descascar dos Impérios, 
A tua voz chega-me como uma chamada a parte nenhuma, como o silêncio da vida... 
Olho dos papéis que estou pensando em arrumar para a janela, 
Por onde não vi a vendedeira que ouvi por ela, 
E o meu sorriso, que ainda não acabara, inclui uma crítica metafisica. 
Descri de todos os deuses diante de uma secretária por arrumar, 
Fitei de frente todos os destinos pela distração de ouvir apregoando, 
E o meu cansaço é um barco velho que apodrece na praia deserta, 
E com esta imagem de qualquer outro poeta fecho a secretária e o poema... 
Como um deus, não arrumei nem uma coisa nem outra... 

Álvaro de Campos, in "Poemas" 

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

segunda-feira, janeiro 24, 2011

terça-feira, janeiro 11, 2011

Sic Transit Gloria Mundi ou A Casa dos Segredos de Macau

Sic Transit Gloria Mundi ou a Casa dos Segredos de Macau

Três anos volvidos do meu regresso de Macau, e outros tantos de percursos mais ou menos sinuosos por ruas, vias e vielas, pessoais e profissionais, sinto-me em condições de fazer uma críticazinha mordaz, com a subjectividade que não enjeito, daquilo que foi (ou julgo ter sido) a minha passagem pelo Delta do Rio das Pérolas...

Findo que foi mais um reality show, desta feita, emitido pela estação televisiva TVI e intitulado “Casa dos Segredos”, fui como que transportada para esse tempo em que, ao longo de 5 anos, adquiri o estatuto de “emigrante de luxo” na Cidade do Santo Nome de Deus de Macau e passo a explicar:

Uma nota prévia, desde já e a respeito do referido programa de televisão, apenas para dizer que assisti (é um facto!), se bem que nem sempre assiduamente, mas as vezes suficientes para poder, legitimamente, comentar e, ao mesmo tempo, louvá-lo enquanto instrumento privilegiado de conhecimento da sociedade portuguesa e retrato fiel da massa populacional que, efectivamente, consubstancia o Portugal Real.


Ponto 1: Em Macau não há emigrantes! Ninguém ouse pensar que os Portugueses que, em virtude do respectivo "factor C” (por maior ou menor que seja!), logram “aterrar” em Macau são emigrantes!... Emigrantes, são (e com todo o respeito que lhes é, obviamente, devido!) os Tugas que vão para o Luxemburgo, Suíça, Alemanha ou para França, nunca os que vão para Macau!!! Aqui só há lugar para Drs.&Eng.ºs, Arquitectos, Professores, Jornalistas e afins, altos quadros, portanto, que não se compadecem com o contexto típico de emigração.

Ponto 2: Todos os Portugueses em Macau guardam um segredo (ao menos um!), um “podrezinho” que, as mais das vezes, é, justamente, a alavanca de cuja propulsão decorre a sua deslocação para o outro lado do mundo...

Até aqui, nada de criticável:

  • Quem vai para Macau, sabe (de antemão ou facilmente o constata, quando ali chega!) que só poderá “safar-se” profissionalmente, caso faça parte daquela auto-proclamada "elite" profissional;

  • A existência de segredos, dir-se-á, não é apanágio exclusivo dos Portugueses em Macau, mas característica do ser humano, em geral, e, portanto, dispensa comentários. Condordo!;

  • A “fuga para outras paragens”, por força de um qualquer desaire pessoal ou profissional, ocorrido em terras lusas, não é de censurar, até pelo contrário, denotando (pelo menos, aparentemente) uma vontade de ultrapassar o suposto problema e uma coragem para recomeçar, qualidades, de resto, que devem ser reconhecidas, sem excepção, a todos os Portugueses quantos os que "sobrevivem" em Macau.

Ponto 3: A comparação entre o reality show e os portugueses em Macau advém, afinal, da própria “filosofia” do programa, cujo objectivo era a descoberta dos segredos de todos e de cada um. Ora, era isso mesmo que sucedia em Macau, quando e enquanto lá estive!... Uma "casa portuguesa, concerteza", povoada de protagonistas, mais ou menos notórios e/ou notáveis, onde todos se entretêm a fazer intriga e a espalhar boatos, a descobrir os "pontos negros" do vizinho de baixo ou a nova amante do afamado "solteiro geográfico"!!!

Qual terra pequena perdida no interior do Portugal profundo, onde as pessoas se “alapam” e agastam, nas soleiras das portas, comentando, mais ou menos mesquinhamente, a vidinha alheia, assim se entretinham os Tugas residentes em Macau: os que já lá estavam, a ver os “novatos” chegar; os que chegavam, pavoneando, sobranceiros, os louros que julgam levar no alto das testas!!!

Recordo-me, a propósito, quando era jurista na Direcção dos Serviços de Finanças, de se comentar, “à boca pequena” (como se fez sempre, de resto, em Macau, à boa maneira portuguesa do “diz-que-disse”!) que ia chegar um advogado novo, cujo nome, proveniência e escritório de destino ainda eram desconhecidos, mas cuja gravata, de um roxo brilhante ostentado à chegada, no terminal de Jetfoil, já corria as bocas do pequeníssimo mundo tuga em Macau!...

O referido programa de televisão fez-me igualmente relembrar uma outra situação, ocorrida por altura da criação do Blog “Leocardo em Macau” (cujo nome foi, entretanto, alterado para “Bairro do Oriente”), quando Tugas havia, desesperados, para desvendar a identidade do respectivo autor, sendo notório (inclusivé através do próprio blog do indivíduo visado), que se “esfalfavam” para descobrir quem era o Leocardo, cuja identidade, legitimamente, mantinha anónima e “guardada a sete chaves” (e ainda mantém, segundo sei...).

Alguns dos “posts” do Leocardo pareciam incomodar, seriamente, certos “Tugas instalados”, que, desde ameças a ofensas, tudo procuraram fazer para denegrir/destruir a imagem daquele blogger, que, a custo, lá se manteve, impávido e sereno, no seu posto! E ainda bem e a bem daquela Terra e desses Tugas que, malogradamente, a povoam!

Aproveitando o ensejo, daqui lhe rendo as minhas homenagens, a si caríssimo con-blogger Leocardo (mesmo não o conhecendo pessoalmente!), não só porque continua inabalável na sua "missão" de tentar “iluminar” muitas das cabecinhas estabelecidas em Macau (cuja idade mental mais parece contemporânea da “idade das trevas”!), mas sobretudo, por ser (ou ter conseguido ser, até aqui!), tal como já ouvi chamá-lo, o “segredo mais bem guardado de Macau”, porquanto esse jogo de cintura não é para quem quer, é para quem pode!

Olhe, eu, permita-se-me o desabafo, não soube aguentar!...

Bem haja, Leocardo, já que, se estar em Macau fosse um concurso, VOCÊ já era vencedor!!! ;)


Sic Transit Gloria Mundi!

Ou seja, e para parafrasear o vetusto brocardo latino, assim caminha a glória do pequeno mundinho dos Portugueses em Macau! Alegre, intransigente e futilmente, é ver os Tugas digladiarem-se, em busca do segredo alheio!...

Deo Gratia!

A velha aliança ou Yes, Mr. Ambassador!

A Velha Aliança ou Yes, Mr. Ambassador!
O casamento de D. João I com Filipa de Lencastre marcou o início
da mais antiga aliança diplomática entre dois países, assinada em
1337, em plena Idade Média e ainda em vigor

«Coisas que nunca deverão mudar em Portugal»*
Portugueses: 2010 tem sido um ano difícil para muitos; incerteza, mudanças, ansiedade sobre o futuro. O espírito do momento e de pessimismo, não de alegria. Mas o ânimo certo para entrar na época natalícia deve ser diferente. Por isso permitam-me, em vésperas da minha partida pela segunda vez deste pequeno jardim, eleger dez coisas que espero bem que nunca mudem em Portugal.


1. A ligação intergeracional. Portugal é um país em que os jovens e os velhos conversam - normalmente dentro do contexto familiar. O estatuto de avô é altíssimo na sociedade portuguesa - e ainda bem. Os portugueses respeitam a primeira e a terceira idade, para o benefício de todos.

2. O lugar central da comida na vida diária. O almoço conta - não uma sandes comida com pressa e mal digerida, mas uma sopa, um prato quente etc, tudo comido à mesa e em companhia. Também aqui se reforça uma ligação com a família.

3. A variedade da paisagem. Não conheço outro pais onde seja possível ver tanta coisa num dia só, desde a imponência do rio Douro até à beleza das planícies do Alentejo, passando pelos planaltos e pela serra da Beira Interior.

4. A tolerância. Nunca vivi num país que aceita tão bem os estrangeiros. Não é por acaso que Portugal é considerado um dos países mais abertos aos emigrantes pelo estudo internacional MIPEX.

5. O café e os cafés. Os lugares são simples, acolhedores e agradáveis; a bebida é um pequeno prazer diário, especialmente quando acompanhado por um pastel de nata quente.

6. A inocência. É difícil descrever esta ideia em poucas palavras sem parecer paternalista; mas vi no meu primeiro fim de semana em Portugal, numa festa popular em Vila Real, adolescentes a dançar danças tradicionais com uma alegria e abertura que têm, na sua raiz, uma certa inocência.

7. Um profundo espírito de independência. Olhando para o mapa ibérico parece estranho que Portugal continue a ser um país independente. Mas é e não é por acaso. No fundo de cada português há um espírito profundamente autónomo e independentista.

8. As mulheres. O Adido de Defesa na Embaixada há quinze anos deu-me um conselho precioso: "Jovem, se quiser uma coisa para ser mesmo bem feita neste país, dê a tarefa a uma mulher". Concordei tanto que me casei com uma portuguesa.

9. A curiosidade sobre, e o conhecimento, do mundo. A influência de "lá" é evidente cá, na comida, nas artes, nos nomes. Portugal é um pais ligado, e que quer continuar ligado, aos outros continentes do mundo.

10. Que o dinheiro não é a coisa mais importante no mundo. As coisas boas de Portugal não são caras. Antes pelo contrário: não há nada melhor do que sair da praia ao fim da tarde e comer um peixe grelhado, acompanhado por um simples copo de vinho.

Então, terminaremos a contemplação do país não com miséria, mas com brindes e abraços. Feliz Natal.

Caso para dizer, Yes, Mr. Ambassador! Way to go! ;)

* Mensagem do, então, embaixador do Reino Unido, ao deixar Portugal (publicado no Jornal Expresso, em 18/12/2010)





sábado, dezembro 12, 2009

Dos pallhaços que nós somos...



Afinal estamos todos talhadinhos para a vida de circo! Grande editorial do «i», muitos parabéns Martim Avillez Figueiredo - sempre nos vale o 4.º poder que os outros 3, para mal do Montesquieu, já eram há muito neste projecto de País!!

sexta-feira, outubro 23, 2009

Uma aventura no Executivo!





Isabel Alçada na pasta da educação...vai ser uma aventura daquelas de não perder pitada, como, de resto, sempre me habituou desde tenra idade...Happy end??? That's the question!


Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros – Luís Amado

Ministro de Estado e das Finanças - Fernando Teixeira dos Santos

Ministro da Presidência – Pedro Silva Pereira

Ministro da Defesa Nacional - Augusto Santos Silva

Ministro da Administração Interna – Rui Pereira

Ministro da Justiça - Alberto Martins

Ministro da Economia, da Inovação e do Desenvolvimento - Vieira da Silva

Ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas - António Manuel Soares Serrano

Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações - António Augusto da Ascensão Mendonça

Ministra do Ambiente e do Ordenamento do Território - Dulce dos Prazeres Fidalgo Álvaro Pássaro

Ministra do Trabalho e da Solidariedade Social - Maria Helena dos Santos André

Ministra da Saúde - Ana Maria Teodoro Jorge

Ministra da Educação - Isabel Alçada Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior - Mariano Gago Ministra da Cultura - Maria Gabriela da Silveira Ferreira Canavilhas

Ministro dos Assuntos Parlamentares - Jorge Lacão

Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros - João Tiago Silveira

quarta-feira, outubro 21, 2009

Vá de retro, Saramago!





Finalmente, alguém que se sente: Parabéns Sr. Eurodeputado!Mas olhe, só divergimos de opiniões neste conspecto: ao invés de mudar a nacionalidade do Nobel, propunha acrescentarmos ao léxico português o nome comum saramago, assim em jeito de sinónimo de Satanás ou Belzebu, neste tipo de expressões bem portuguesas:Cruzes canhoto! Te arrenego Belzebú. Vá de retro Tinhoso.Vá de retro Saramago, soa lindamente não lhe parece???

quinta-feira, outubro 15, 2009

Ainda sobre a Maitê...


Não me considero, nem de longe, nem de perto, uma "purista tuguinha" e, muito menos uma "desocupada", mas não deixei de me sentir absolutamente enxovalhada pela forma como esta senhora retratou o nosso povo, os nossos hábitos, o nosso Património! AVILTANTE, para dizer o mínimo do comportamento de uma actriz que sempre foi acarinhada no nosso país! Concedo nos argumentos de que não temos o sentido de humor dos brasileiros, não temos aquele jeito despreocupado, não temos o sol, nem o carnaval, que de resto sempre imitamos, da pior maneira...Mas uma coisa é certa, temos séculos de cultura, de postura e de história que nunca os brasileiros conseguirão entender...

Nós é que lhes descobrimos a Pátria e lhes emprestámos a língua, que eles logo trataram de adulterar!...

Não lhe censuro a falta de conhecimentos gritante, mas não lhe perdoo a "brincadeira" de extremo mau gosto...

E digo mais, sinto orgulho por não ter aquele sentido de humor nem aquele jeitinho despreocupado, até porque um país é geralmente o retrato fiel do seu povo e o Brasil tem o povo que merece!!!

Os alegretes do samba nunca conseguirão entender o nosso "triste fado"...e ainda bem!

quarta-feira, outubro 14, 2009

CIRCO DE FERAS


Defender animais no circo não é fácil. O que devolve tudo às origens de uma boa discussão - o espaço de liberdade entre aqueles que querem e os que rejeitam

«A Associação Europeia de Circos quer processar o Estado português. Faz bem. A aplicação (ainda que bem intencionada) da directiva europeia que impede a criação e reprodução de animais em cativeiro viola outros direitos. Não é fácil defender a ideia que se segue, e o circo com animais em particular, mas vamos por partes.
Primeiro: esta história que agora rebenta em Portugal tem na base uma directiva europeia que não faz pontaria aos circos em particular. O que essa decisão comunitária quer impedir é a criação e a reprodução de animais em cativeiro. Parece sensato, sobretudo quando abre excepção aos jardins zoológicos e instituições científicas. A directiva atinge os circos porque estes são clientes dessas instituições (ou empresas) que vendem animais amestrados - sejam leões que saltam rodas de fogo ou elefantes que dançam ao som da valsa. De todos os países europeus, apenas a Áustria (em 2005) aplicou a directiva - e logo a associação europeia de circos abriu uma frente de batalha para incluir os circos na lista de excepções. O provedor europeu deu razão à gente do circo, mas logo as ligas de protecção dos animais combateram a decisão. E assim se chega a Portugal, onde se percebe que a lei não ataca os circos mas anuncia-lhes o fim. Isto é, se não podem criar animais ou comprar a quem os cria - nem permitir que os que detêm se reproduzam - os espectáculos com animais terminam. E então? O Cirque du Soleil, estudado hoje em universidades de gestão, mostra bem como o espectáculo pode viver sem animais. Pode. Mas o sucesso de um modelo de circo não deve ameaçar a existência de outros. Complicado?
Segundo: o circo com animais é um negócio que, em 2007, gerou 287 mil espectadores. Menos 11 mil do que as corridas de toiros, por exemplo. Ou mais 87 mil do que um espectáculo de dança moderna. Em euros, rendeu 800 mil e gerou cerca de 100 empregos por cada circo. Isto para dizer: não é aquela coisa pelintra que alguns supõem. Tem mesmo bons exemplos de gestão, como sucede com Victor Hugo Cardinali, proprietário do Circo Cardinali. Paga bem aos seus artistas (cerca de 400 euros por dia!). Pelo que sobra o essencial: protecção dos animais. Terceiro: a melhor forma de tomar posição sobre estes assuntos é explicar que a liberdade só deve ser travada quando interfere com a liberdade de outros - mas aqui entra a argumentação dos activistas animais: viola a destes. Também é fraco o argumento de que se criam e abatem animais para comer. Isso, dizem, cumpre funções de sobrevivência. Sucede que a lista de bens necessários à vida não se resume aos de sobrevivência - existem milhares de pessoas que nunca terão a oportunidade de experimentar a coragem de um domador, ou olhar de perto um leão em acção, se não forem ao circo. Pouco? Talvez. Mas quem ama o circo, e conhece a sua gente, sabe que por lá não se violam direitos de animais. Gere-se um negócio pelo qual outros estão dispostos a pagar. Também a droga, argumenta- -se. Pois. O que devolve tudo ao início - não é simples defender animais no circo. O que é simples é dar uma opinião. A minha? Mantenha-se. Não há espectáculo mais bonito do que um bom número de circo!»
Martim Avillez Figueiredo in Jornal i, http://www.ionline.pt/conteudo/27804-que-grande-circo

domingo, setembro 21, 2008

Paixão, Amor e Sexo*


«Todo o amor tem princípio, uma continuidade e um fim. O amor à primeira vista só pode ser sexo. A fidelidade é o ingrediente mais excitante de uma relação. (...) apesar de vivermos num tempo de "monogamia seriada", somos fieis a "um amor de cada vez".»

«Homens e mulheres têm tendência natural em atrair-se por homens e mulheres enigmáticas e a paixão ou o amor têm tendência a desvanecer-se sempre que o outro passa a ser uma pessoa conhecida.»

«Enamoramo-nos ou casamos com o inimigo e escolhemos para cônjuges e amantes aqueles que nunca escolheríamos para amigos.»

Ideias base de Francisco Allen Gomes no seu ensaio "Paixão Amor e Sexo". O psiquiatra e sexólogo fala-nos dos comportamentos, dos afectos, da solidão, da sociedade.Reunindo os textos editados em revistas da especialidade, o autor partilha os anos de experiência enquanto terapeuta.

Fala de sexualidade que é falar de homens e de mulheres, do que os rodeia, das expectativas, dos medos, do amor. Da definição de António Damásio de erotismo aos estudos de Kinsey, passando pelos domínios do ensaio, da ficção e do estudo científico, a abordagem é rica em perspectivas, complexa no olhar, actual nas temáticas.

A não perder!

*Francisco Allen Gomes . - Lisboa, D. Quixote, 2004

quinta-feira, setembro 18, 2008

Panis et Circenses* ou "O Momento da Verdade"

A verdade alivia mais do que magoa. E estará sempre acima de qualquer falsidade como o óleo sobre a água.
(Miguel de Cervantes)

Dizer a verdade e passar no teste do polígrafo. Estas as condições necessárias para ganhar 250 mil euros no novo programa da SIC, 'Momento da Verdade' com Teresa Guilherme de regresso à apresentação.
O formato - um original norte-americano que é emitido na Fox - estreou na SIC na passada semana. A produção está a cargo da CVB, nova produtora de Piet-Hein Bakker, Pedro Curto e Vasco Vilarinho.
Segundo Piet-Hein Bakker, este formato "não é um concurso nem um reality show, está algures no meio e é aí que está o segredo" do programa, que nos Estados Unidos tem tido muito sucesso e também polémica, devido às questões que são colocadas aos participantes. Depois de se inscreverem, os concorrentes conversam com a produção, que faz um perfil sobre cada um, contando também com conversas com amigos e familiares do participante - contactos fornecidos pelo próprio. A partir do perfil, são elaboradas 50 questões a que o concorrente responde, ligado a um polígrafo. Destas, são escolhidas 21 que serão feitas no programa. "A pessoa já sabe quais as questões que lhe vão fazer. Só não sabe é quais as que foram seleccionadas e qual o resultado do polígrafo", afirma Teresa Guilherme.
A partir daqui, o candidato tem de ultrapassar seis níveis de dificuldade, começando nos mil euros. O último patamar corresponde aos 250 mil euros. "À medida que sobe de nível, as perguntas vão ficando mais difíceis de responder em público", salienta Teresa Guilherme, acrescentando que, "se o concorrente disser uma mentira, perde". O participante pode convidar para o programa familiares e amigos, que podem optar por não ouvir uma das suas respostas, através de um botão que estará colocado à sua frente, mas só uma vez.
Luís Miguel Carvalho, militar, 27 anos foi o primeiro concorrente. Durante quase uma hora, diante da mulher, de quem tem uma filha de oito anos, e de milhares de telespectadores, o cabo confessou ter sido infiel, ter pago para ter sexo e ter um casamento "aborrecido".
Depois de ouvir o companheiro afirmar, com a confirmação do polígrafo, que já foi "bêbedo para o emprego", que se "fotografou a ter relações sexuais para mostrar aos amigos", que "não costuma usar preservativo nas relações sexuais com outras mulheres" e que "mesmo comprometido gosta de seduzir o sexo oposto", Márcia, a jovem cabeleireira, estremeceu à pergunta de Teresa Guilherme: "Desde que está com a Márcia já teve relações sexuais com mais de 15 mulheres?" Diante da agitação de Márcia, o melhor amigo do cabo Luís Miguel saltou da cadeira e censurou a pergunta, usando um dos recursos do concurso.


Depois dos Big Brothers e afins, depois da onda mais ou menos sensacionalista que banha os talk-shows da actualidade televisiva, nada como pedir às pessoas que revelem os seus segredos em troca de dinheiro. Nos tempos que correm, vale tudo...menos tirar olhos!!!



P.S. Uma última nota para dizer que o concorrente ganhou 25000 euros, mas além de já estar separado corre sérios riscos de não poder prosseguir com a carreira militar...


*antiga expressão latina que significa que tudo estará bem, conquanto o povo tenha pão e circo. Não importa se a vida está difícil, enquanto haja o que levar à boca e o que a faça sorrir!

sábado, março 29, 2008

já nem sei se ria,se chore...

«Descer um por cento no IVA "é sempre desprezível para quem é rico, mas para quem é pobre não é desprezível", reagiu José Sócrates, dizendo depois que "só tem autoridade moral para descer impostos quem fez o seu trabalho, quem fez aquilo que devia, depois de uma governação difícil, mas justa e honesta em benefício do futuro do país".»
José Sócrates, in PÚBLICO

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Em nome da Minha Língua


«Não tenho sentimento nenhum politico ou social. Tenho, porém,num sentido, um alto sentimento patriotico. Minha patria é a lingua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incommodassem pessoalmente, Mas odeio, com odio verdadeiro, com o unico odio que sinto, não quem escreve mal portuguez, não quem não sabe syntaxe, não quem escreve em orthographia simplificada, mas a pagina mal escripta como pessoa própria, a syntaxe errada, como gente em que se bata, a thographia sem ípsilon, como escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.»


Texto publicado originariamente em "Descobrimento", revista de Cultura n.º 3, 1931, pp. 409-410, transcrito do "Livro do Desassossego", por Bernardo Soares (heterónimo de Fernando Pessoa), numa recolha de Maria Aliete Galhoz e Teresa Sobral Cunha; ed. de Jacinto do Prado Coelho, Lisboa, Ática, 1982 vol. I, p. 16-17. Respeitou-se a ortografia da época de Fernando Pessoa.


Em nome da Minha língua é a rubrica que hoje inauguro.

Porque prezo muito a minha língua (a 6.ª mais falada no mundo) mas, sobretudo, porque a descubro e redescubro continuamente.

sábado, dezembro 08, 2007

regresso

Nesta longa caminhada,
galgo ainda
lenta
essa encosta da vida.
E aprendo a cada dura passada pesada.
O corpo cansado dos passos que deu.
A alma resignada por erros mil que cometeu.
Estou de regresso.
Procuro o caminho de volta a casa.
Quero ficar
que o velho leito de flanela ainda me aquece.

Quero encontrar-me, que me perdi!
Dos sonhos, das cores…
Do odor a terra, do sol de Inverno, dos amores…
Quero de novo o sabor do riso,
O gosto da alma que carrego dentro e já não decifro.
Quero sentir de novo, na janela, o luar,
ouvir o mar, o vento a uivar...
Quero encontrar-me, que me perdi dos meus sentidos...

Regresso enfim.
E deixo-me lá atrás.
Deixo órfã essa busca estéril de me encontrar.
Liberto-me dos caminhos distantes e lugares recônditos,
das tatuagens do tempo, dos grilhões da alma.
Abandono o breve sabor dos instantes, o travo de outros seres.
E tantos outros pedaços perdidos nesta viagem
que finda
agora
ainda
mais esta vez…

Acerto o passo amanhã...
ou quando o Sol me despertar,
que um final não faz sentido sem um recomeço
e o caminho sempre se faz ao andar.

sexta-feira, julho 13, 2007

A Pátria Honrai que a Pátria vos Contempla


Caríssimos co-emigrantes da RAEM: serve este post como desabafo e, simultaneamente, como repto!

Com o devido respeito, deixai-me dizer-vos, em jeito de reprimenda, que se há coisa que sempre me confundiu os sentidos em Macau foi esta tendência, que quase diria inata, para nos atacarmos uns aos outros...

Nunca conheci comunidade emigrante como a nossa...e porquê, perguntei-me tantas vezes e ainda me questiono... ou melhor para quê???

Logrei ter conhecido mais "caloiros de Macau" nos quais me incluo, de resto, do que amigos da "velha guarda", mas acabei também por coleccionar uns quantos...

A verdade, contudo, é que sendo nós sangue novo, nunca compreendi muito bem o porquê da nossa "apatia", da nossa "letargia" e da nossa mania de criticar tudo e todos incluindo Portugal...

Não estará já na hora de nos unirmos e fazermos por Macau e por nós em Macau??

É fácil apontar o dedo aos actuais governantes e mostrar as gritantes azelhices, assim como também é fácil apontar o dedo aos nossos quando lá estiveram, mas e nós que cá estamos, hic et nunc??

Que fazemos?
Dizemos mal uns dos outros em cafés e escritórios?!

Não podemos esquecer-nos que estamos numa terra que não é a nossa e que é graças aos chineses, que ora nos fazem rir, que ainda que cá estamos!

Quanto a mim, enquanto mantivermos esta nossa mentalidade, típica das ancestrais cantigas de escárnio e mal dizer, não me parece que fiquemos aqui como deve ser...

Meus Senhores, ao menos para honrar o bom nome dos nossos igrégios avós, deixemo-nos de pelejas pessoais, que como dizia o outro, é a união que faz a força!

Macau precisa dos portugueses, mas precisa também de exemplos urgentes....de bons exemplos...

Ora se nós que somos tão poucos nos entretemos em digladiações do "diz que disse" que raio fazemos nós aqui, afinal? Ganhamos o nosso dinheirinho e o resto que se lixe!?
Que cidadãos do mundo somos nós afinal, se nos comportamos como uns provincianinhos de meia-tigela?

Só me apetece gritar como o meu douto Professor de Introdução ao Direito na vetusta UC:
_Irrrrrrrrrrrrrrrra, que espiga!

P.S. Tudo isto, a propósito dos comentários num post do blog do Leocardo, a saber: http://leocardoemmacau.blogspot.com/2007/07/cuidado-com-o-yuan.html