um blog de impressões (digitais)... porque,aqui,posso ser séria ou ridícula,mentir ou dizer a verdade,anónima ou nem por isso,posso ser profunda ou fútil, estar inspirada ou não... porque posso,enfim,ser uma pessoa
terça-feira, março 15, 2011
Passo a publicidade...
segunda-feira, fevereiro 21, 2011
De malas aviadas... para a vida!
Reticências
Arrumar a vida, pôr prateleiras na vontade e na acção.
Quero fazer isto agora, como sempre quis, com o mesmo resultado;
Mas que bom ter o propósito claro, firme só na clareza, de fazer qualquer coisa!
Vou fazer as malas para o Definitivo,
Organizar Álvaro de Campos,
E amanhã ficar na mesma coisa que antes de ontem — um antes de ontem que é sempre...
Sorrio do conhecimento antecipado da coisa-nenhuma que serei.
Sorrio ao menos; sempre é alguma coisa o sorrir...
Produtos românticos, nós todos...
E se não fôssemos produtos românticos, se calhar não seríamos nada.
Assim se faz a literatura...
Santos Deuses, assim até se faz a vida!
Os outros também são românticos,
Os outros também não realizam nada, e são ricos e pobres,
Os outros também levam a vida a olhar para as malas a arrumar,
Os outros também dormem ao lado dos papéis meio compostos,
Os outros também são eu.
Vendedeira da rua cantando o teu pregão como um hino inconsciente,
Rodinha dentada na relojoaria da economia política,
Mãe, presente ou futura, de mortos no descascar dos Impérios,
A tua voz chega-me como uma chamada a parte nenhuma, como o silêncio da vida...
Olho dos papéis que estou pensando em arrumar para a janela,
Por onde não vi a vendedeira que ouvi por ela,
E o meu sorriso, que ainda não acabara, inclui uma crítica metafisica.
Descri de todos os deuses diante de uma secretária por arrumar,
Fitei de frente todos os destinos pela distração de ouvir apregoando,
E o meu cansaço é um barco velho que apodrece na praia deserta,
E com esta imagem de qualquer outro poeta fecho a secretária e o poema...
Como um deus, não arrumei nem uma coisa nem outra...
Álvaro de Campos, in "Poemas"
terça-feira, fevereiro 15, 2011
sexta-feira, fevereiro 11, 2011
Quando a crise atinge os valores...
segunda-feira, janeiro 24, 2011
Ressaca das presidenciais...
terça-feira, janeiro 11, 2011
Sic Transit Gloria Mundi ou A Casa dos Segredos de Macau
Sic Transit Gloria Mundi ou a Casa dos Segredos de Macau

Três anos volvidos do meu regresso de Macau, e outros tantos de percursos mais ou menos sinuosos por ruas, vias e vielas, pessoais e profissionais, sinto-me em condições de fazer uma críticazinha mordaz, com a subjectividade que não enjeito, daquilo que foi (ou julgo ter sido) a minha passagem pelo Delta do Rio das Pérolas...
Findo que foi mais um reality show, desta feita, emitido pela estação televisiva TVI e intitulado “Casa dos Segredos”, fui como que transportada para esse tempo em que, ao longo de 5 anos, adquiri o estatuto de “emigrante de luxo” na Cidade do Santo Nome de Deus de Macau e passo a explicar:
Uma nota prévia, desde já e a respeito do referido programa de televisão, apenas para dizer que assisti (é um facto!), se bem que nem sempre assiduamente, mas as vezes suficientes para poder, legitimamente, comentar e, ao mesmo tempo, louvá-lo enquanto instrumento privilegiado de conhecimento da sociedade portuguesa e retrato fiel da massa populacional que, efectivamente, consubstancia o Portugal Real.
Ponto 1: Em Macau não há emigrantes! Ninguém ouse pensar que os Portugueses que, em virtude do respectivo "factor C” (por maior ou menor que seja!), logram “aterrar” em Macau são emigrantes!... Emigrantes, são (e com todo o respeito que lhes é, obviamente, devido!) os Tugas que vão para o Luxemburgo, Suíça, Alemanha ou para França, nunca os que vão para Macau!!! Aqui só há lugar para Drs.&Eng.ºs, Arquitectos, Professores, Jornalistas e afins, altos quadros, portanto, que não se compadecem com o contexto típico de emigração.
Ponto 2: Todos os Portugueses em Macau guardam um segredo (ao menos um!), um “podrezinho” que, as mais das vezes, é, justamente, a alavanca de cuja propulsão decorre a sua deslocação para o outro lado do mundo...
Até aqui, nada de criticável:
Quem vai para Macau, sabe (de antemão ou facilmente o constata, quando ali chega!) que só poderá “safar-se” profissionalmente, caso faça parte daquela auto-proclamada "elite" profissional;
A existência de segredos, dir-se-á, não é apanágio exclusivo dos Portugueses em Macau, mas característica do ser humano, em geral, e, portanto, dispensa comentários. Condordo!;
A “fuga para outras paragens”, por força de um qualquer desaire pessoal ou profissional, ocorrido em terras lusas, não é de censurar, até pelo contrário, denotando (pelo menos, aparentemente) uma vontade de ultrapassar o suposto problema e uma coragem para recomeçar, qualidades, de resto, que devem ser reconhecidas, sem excepção, a todos os Portugueses quantos os que "sobrevivem" em Macau.
Ponto 3: A comparação entre o reality show e os portugueses em Macau advém, afinal, da própria “filosofia” do programa, cujo objectivo era a descoberta dos segredos de todos e de cada um. Ora, era isso mesmo que sucedia em Macau, quando e enquanto lá estive!... Uma "casa portuguesa, concerteza", povoada de protagonistas, mais ou menos notórios e/ou notáveis, onde todos se entretêm a fazer intriga e a espalhar boatos, a descobrir os "pontos negros" do vizinho de baixo ou a nova amante do afamado "solteiro geográfico"!!!
Qual terra pequena perdida no interior do Portugal profundo, onde as pessoas se “alapam” e agastam, nas soleiras das portas, comentando, mais ou menos mesquinhamente, a vidinha alheia, assim se entretinham os Tugas residentes em Macau: os que já lá estavam, a ver os “novatos” chegar; os que chegavam, pavoneando, sobranceiros, os louros que julgam levar no alto das testas!!!
Recordo-me, a propósito, quando era jurista na Direcção dos Serviços de Finanças, de se comentar, “à boca pequena” (como se fez sempre, de resto, em Macau, à boa maneira portuguesa do “diz-que-disse”!) que ia chegar um advogado novo, cujo nome, proveniência e escritório de destino ainda eram desconhecidos, mas cuja gravata, de um roxo brilhante ostentado à chegada, no terminal de Jetfoil, já corria as bocas do pequeníssimo mundo tuga em Macau!...
O referido programa de televisão fez-me igualmente relembrar uma outra situação, ocorrida por altura da criação do Blog “Leocardo em Macau” (cujo nome foi, entretanto, alterado para “Bairro do Oriente”), quando Tugas havia, desesperados, para desvendar a identidade do respectivo autor, sendo notório (inclusivé através do próprio blog do indivíduo visado), que se “esfalfavam” para descobrir quem era o Leocardo, cuja identidade, legitimamente, mantinha anónima e “guardada a sete chaves” (e ainda mantém, segundo sei...).
Alguns dos “posts” do Leocardo pareciam incomodar, seriamente, certos “Tugas instalados”, que, desde ameças a ofensas, tudo procuraram fazer para denegrir/destruir a imagem daquele blogger, que, a custo, lá se manteve, impávido e sereno, no seu posto! E ainda bem e a bem daquela Terra e desses Tugas que, malogradamente, a povoam!
Aproveitando o ensejo, daqui lhe rendo as minhas homenagens, a si caríssimo con-blogger Leocardo (mesmo não o conhecendo pessoalmente!), não só porque continua inabalável na sua "missão" de tentar “iluminar” muitas das cabecinhas estabelecidas em Macau (cuja idade mental mais parece contemporânea da “idade das trevas”!), mas sobretudo, por ser (ou ter conseguido ser, até aqui!), tal como já ouvi chamá-lo, o “segredo mais bem guardado de Macau”, porquanto esse jogo de cintura não é para quem quer, é para quem pode!
Olhe, eu, permita-se-me o desabafo, não soube aguentar!...
Bem haja, Leocardo, já que, se estar em Macau fosse um concurso, VOCÊ já era vencedor!!! ;)
Sic Transit Gloria Mundi!
Ou seja, e para parafrasear o vetusto brocardo latino, assim caminha a glória do pequeno mundinho dos Portugueses em Macau! Alegre, intransigente e futilmente, é ver os Tugas digladiarem-se, em busca do segredo alheio!...
Deo Gratia!
A velha aliança ou Yes, Mr. Ambassador!
sábado, dezembro 12, 2009
Dos pallhaços que nós somos...
Afinal estamos todos talhadinhos para a vida de circo! Grande editorial do «i», muitos parabéns Martim Avillez Figueiredo - sempre nos vale o 4.º poder que os outros 3, para mal do Montesquieu, já eram há muito neste projecto de País!!
sexta-feira, outubro 23, 2009
Uma aventura no Executivo!

quarta-feira, outubro 21, 2009
Vá de retro, Saramago!

quinta-feira, outubro 15, 2009
Ainda sobre a Maitê...
Não me considero, nem de longe, nem de perto, uma "purista tuguinha" e, muito menos uma "desocupada", mas não deixei de me sentir absolutamente enxovalhada pela forma como esta senhora retratou o nosso povo, os nossos hábitos, o nosso Património! AVILTANTE, para dizer o mínimo do comportamento de uma actriz que sempre foi acarinhada no nosso país! Concedo nos argumentos de que não temos o sentido de humor dos brasileiros, não temos aquele jeito despreocupado, não temos o sol, nem o carnaval, que de resto sempre imitamos, da pior maneira...Mas uma coisa é certa, temos séculos de cultura, de postura e de história que nunca os brasileiros conseguirão entender...
Nós é que lhes descobrimos a Pátria e lhes emprestámos a língua, que eles logo trataram de adulterar!...
Não lhe censuro a falta de conhecimentos gritante, mas não lhe perdoo a "brincadeira" de extremo mau gosto...
E digo mais, sinto orgulho por não ter aquele sentido de humor nem aquele jeitinho despreocupado, até porque um país é geralmente o retrato fiel do seu povo e o Brasil tem o povo que merece!!!
Os alegretes do samba nunca conseguirão entender o nosso "triste fado"...e ainda bem!
quarta-feira, outubro 14, 2009
CIRCO DE FERAS
«A Associação Europeia de Circos quer processar o Estado português. Faz bem. A aplicação (ainda que bem intencionada) da directiva europeia que impede a criação e reprodução de animais em cativeiro viola outros direitos. Não é fácil defender a ideia que se segue, e o circo com animais em particular, mas vamos por partes.
domingo, setembro 21, 2008
Paixão, Amor e Sexo*
«Todo o amor tem princípio, uma continuidade e um fim. O amor à primeira vista só pode ser sexo. A fidelidade é o ingrediente mais excitante de uma relação. (...) apesar de vivermos num tempo de "monogamia seriada", somos fieis a "um amor de cada vez".»
«Homens e mulheres têm tendência natural em atrair-se por homens e mulheres enigmáticas e a paixão ou o amor têm tendência a desvanecer-se sempre que o outro passa a ser uma pessoa conhecida.»
«Enamoramo-nos ou casamos com o inimigo e escolhemos para cônjuges e amantes aqueles que nunca escolheríamos para amigos.»
Ideias base de Francisco Allen Gomes no seu ensaio "Paixão Amor e Sexo". O psiquiatra e sexólogo fala-nos dos comportamentos, dos afectos, da solidão, da sociedade.Reunindo os textos editados em revistas da especialidade, o autor partilha os anos de experiência enquanto terapeuta.
Fala de sexualidade que é falar de homens e de mulheres, do que os rodeia, das expectativas, dos medos, do amor. Da definição de António Damásio de erotismo aos estudos de Kinsey, passando pelos domínios do ensaio, da ficção e do estudo científico, a abordagem é rica em perspectivas, complexa no olhar, actual nas temáticas.
A não perder!
*Francisco Allen Gomes . - Lisboa, D. Quixote, 2004
quinta-feira, setembro 18, 2008
Panis et Circenses* ou "O Momento da Verdade"
(Miguel de Cervantes)
Depois de ouvir o companheiro afirmar, com a confirmação do polígrafo, que já foi "bêbedo para o emprego", que se "fotografou a ter relações sexuais para mostrar aos amigos", que "não costuma usar preservativo nas relações sexuais com outras mulheres" e que "mesmo comprometido gosta de seduzir o sexo oposto", Márcia, a jovem cabeleireira, estremeceu à pergunta de Teresa Guilherme: "Desde que está com a Márcia já teve relações sexuais com mais de 15 mulheres?" Diante da agitação de Márcia, o melhor amigo do cabo Luís Miguel saltou da cadeira e censurou a pergunta, usando um dos recursos do concurso.
sábado, março 29, 2008
já nem sei se ria,se chore...
sexta-feira, março 14, 2008
segunda-feira, março 03, 2008
quarta-feira, fevereiro 27, 2008
Em nome da Minha Língua
sábado, dezembro 08, 2007
regresso
Nesta longa caminhada,galgo ainda
lenta
essa encosta da vida.
E aprendo a cada dura passada pesada.
O corpo cansado dos passos que deu.
A alma resignada por erros mil que cometeu.
Estou de regresso.
Procuro o caminho de volta a casa.
Quero ficar
que o velho leito de flanela ainda me aquece.
Quero encontrar-me, que me perdi!
Dos sonhos, das cores…
Do odor a terra, do sol de Inverno, dos amores…
Quero de novo o sabor do riso,
O gosto da alma que carrego dentro e já não decifro.
Quero sentir de novo, na janela, o luar,
ouvir o mar, o vento a uivar...
Quero encontrar-me, que me perdi dos meus sentidos...
Regresso enfim.
E deixo-me lá atrás.
Deixo órfã essa busca estéril de me encontrar.
Liberto-me dos caminhos distantes e lugares recônditos,
das tatuagens do tempo, dos grilhões da alma.
Abandono o breve sabor dos instantes, o travo de outros seres.
E tantos outros pedaços perdidos nesta viagem
que finda
agora
ainda
mais esta vez…
Acerto o passo amanhã...
ou quando o Sol me despertar,
que um final não faz sentido sem um recomeço
e o caminho sempre se faz ao andar.
sexta-feira, julho 13, 2007
A Pátria Honrai que a Pátria vos Contempla





