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terça-feira, março 15, 2011

Passo a publicidade...

Porque nos tempos que correm, o difícil é mantermo-nos fiéis àquilo em que acreditamos e arriscarmos, procurarmos, inventarmos...sem sermos subservientes em relação aos Media, às Redes Sociais, aos Comentadores de Opinião fácil...sem sermos, afinal, apenas mais um do Rebanho de tresmalhados que serve de presa fácil a uma classe política sem classe, que nos enjeita com a mesma facilidade com que agora nos eleva a bandeira! Não podemos esperar milagres de um país que está, todo ele, à rasca! Há que promover, isso sim, uma verdadeira revolução de mentalidades, a nossa incluída!!!




domingo, março 06, 2011

das aparências não reza a história...


Epicteto foi um filósofo grego, pertencente à Escola
Estóica. Viveu a maior parte de sua vida como escravo
 em Roma. Dos seus ensinamentos conservam-se  "Enchyridion"
ou "Manual e alguns discursos, editados pelo seu discípulo,
Flávio Arriano. Seu nome vem do grego, "epiktetos" - "adquirido" ou "comprado".



«Das coisas que há no mundo, umas estão na nossa mão e outras não. Na nossa mão estão a opinião, a suspeita, o apetite, o aborrecimento, o desejo e, numa palavra, todas as obras que são nossas. Não estão na nossa mão o corpo, a fazenda, nem a honra (reputação), nem o senhorio, nem com efeito nenhuma das que não são obra nossa. As coisas que estão na nossa mão, de sua natureza são livres e senhoras sem impedimento nem embaraço. E as que não estão na nossa mão, de si são fracas, servis, embaraçadas e sujeitas. 
Pois olha que, se tiveres por livre o que na sua natureza não o for, e por teu o que em efeito não o é, haverás de embaraçar-te, e lamentar-te, e queixar-te dos deuses e dos homens. Mas se só o que é teu tiveres por tal, e por alheio, como o é, o que não é teu, não haverá nunca quem te faça força; a ninguém acusarás; de ninguém te queixarás; nenhuma coisa farás contra tua vontade; não terás nenhum inimigo; ninguém te fará mal; nem receberás nenhum dano nem perda.
Se vires algum homem muito honrado, ou poderoso, ou por qualquer outra via engrandecido, olha que não te deixes levar por essas aparências e o tenhas por bem-aventurado; porque se a importância, e ser do sossego se puder ser no que está em nossa mão, nem a inveja, nem a emulação terão lugar em nada; e tu mesmo, antes que ser imperador, cônsul, ou senador, tomarias ser livre e senhor de ti mesmo: para o que há um só caminho, que é o desprezo de todas as coisas que não estão na nossa mão. 
Traz sempre diante dos olhos a morte, desterros e tudo que se tem por trabalho, e mais que tudo a morte. E com isto nem terás nenhum pensamento baixo, nem desejarás nada com muita força. 
Das coisas que servem ao corpo não se há-de tomar mais de quanto convenha para o ânimo; como de comer, beber, vestido, e casa, e serviço: o que não serve senão de vaidade, ou de delícias, deita-o de ti.(...)»



Epicteto in 'Manual'

sábado, março 05, 2011

do diz-que-disse e coiso e tal...

Uma das formas mais universais de irracionalidade é a atitude tomada por quase toda a gente em relação às conversas maldizentes. Muito poucas pessoas sabem resistir à tentação de dizer mal dos seus conhecimentos e mesmo, se a ocasião se proporciona, dos seus amigos; no entanto, quando sabem que alguma coisa foi dita em seu desabono, enchem-se de espanto e indignação. Certamente nunca lhes ocorreu ao espírito que da mesma forma que dizem mal de não importa quem, alguém possa dizer mal deles. Esta é uma forma atenuada da atitude que, quando exagerada, conduz à mania da perseguição.
Exigimos de toda a gente o mesmo sentimento de amor e de profundo respeito que sentimos por nós próprios. Nunca nos ocorre que não devemos exigir que os outros pensem melhor de nós do que nós pensamos a respeito deles e não nos ocorre porque aos nossos olhos os méritos são grandes e evidentes ao passo que os dos outros, se na realidade existem, só são reconhecidos com certa benevolência. Quando o leitor ouve dizer que alguém disse qualquer coisa desprimorosa a seu respeito, lembra-se logo das noventa e nove vezes que reprimiu o desejo de exprimir, sobre esse alguém, a crítica que considerava justa e merecida, e esquece-se da centésima vez em que, num momento de desatenção, afirmou a respeito dele o que julgava ser a verdade. Esta é a recompensa, perguntará a si próprio, de toda a minha longa indulgência? O problema, visto do lado oposto, apresenta-se de uma forma diferente: ele nada sabe das noventa e nove vezes em que o leitor se calou, conhece apenas a centésima vez em que falou. 

Bertrand Russell, in "A Conquista da Felicidade" 

sexta-feira, março 04, 2011

Da princesa de outrora...


Antigamente todos os contos para crianças terminavam com a mesma frase, e foram felizes para sempre, isto depois de o Príncipe casar com a Princesa e de terem muitos filhos. Na vida, é claro, nenhum enredo remata assim. As Princesas casam com os guarda-costas, casam com os trapezistas, a vida continua, e os dois são infelizes até que se separam. Anos mais tarde, como todos nós, morrem. Só somos felizes, verdadeiramente felizes, quando é para sempre, mas só as crianças habitam esse tempo no qual todas as coisas duram para sempre. 

José Eduardo Agualusa, in 'O Vendedor de Passados'

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

Caminhante solitária...



Nas alturas em que o meu dever e o meu coração estavam em contradição, o primeiro raramente saiu vitorioso, a menos que bastasse eu abster-me; então, na maioria das vezes, eu era forte, mas sempre me foi impossível agir contra o meu feitio. Quer sejam os homens, o dever, ou mesmo a fatalidade quem comanda, sempre que o meu coração se cala, a minha vontade fica surda, e eu não sou capaz de obedecer. Vejo o mal que me ameaça e deixo-o chegar, em vez de agir para o evitar. Começo por vezes com esforço, mas esse esforço cansa-me e depressa me esgota, e não sou capaz de continuar. Em todas as coisas imagináveis, aquilo que não faço com prazer logo se me torna impossível de levar a cabo. 

Jean-Jacques Rousseau, in 'Os Devaneios do Caminhante Solitário'

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

De malas aviadas... para a vida!





Reticências


Arrumar a vida, pôr prateleiras na vontade e na acção. 
Quero fazer isto agora, como sempre quis, com o mesmo resultado; 
Mas que bom ter o propósito claro, firme só na clareza, de fazer qualquer coisa! 
Vou fazer as malas para o Definitivo, 
Organizar Álvaro de Campos, 
E amanhã ficar na mesma coisa que antes de ontem — um antes de ontem que é sempre... 
Sorrio do conhecimento antecipado da coisa-nenhuma que serei. 
Sorrio ao menos; sempre é alguma coisa o sorrir... 
Produtos românticos, nós todos... 
E se não fôssemos produtos românticos, se calhar não seríamos nada. 
Assim se faz a literatura... 
Santos Deuses, assim até se faz a vida! 
Os outros também são românticos, 
Os outros também não realizam nada, e são ricos e pobres, 
Os outros também levam a vida a olhar para as malas a arrumar, 
Os outros também dormem ao lado dos papéis meio compostos, 
Os outros também são eu. 
Vendedeira da rua cantando o teu pregão como um hino inconsciente, 
Rodinha dentada na relojoaria da economia política, 
Mãe, presente ou futura, de mortos no descascar dos Impérios, 
A tua voz chega-me como uma chamada a parte nenhuma, como o silêncio da vida... 
Olho dos papéis que estou pensando em arrumar para a janela, 
Por onde não vi a vendedeira que ouvi por ela, 
E o meu sorriso, que ainda não acabara, inclui uma crítica metafisica. 
Descri de todos os deuses diante de uma secretária por arrumar, 
Fitei de frente todos os destinos pela distração de ouvir apregoando, 
E o meu cansaço é um barco velho que apodrece na praia deserta, 
E com esta imagem de qualquer outro poeta fecho a secretária e o poema... 
Como um deus, não arrumei nem uma coisa nem outra... 

Álvaro de Campos, in "Poemas" 

domingo, fevereiro 20, 2011

Mergulho-me nos sonhos...

dive for dreams (by E. E. Cummings)







dive for dreams
or a slogan may topple you
(trees are their roots
and wind is wind)
trust your heart
if the seas catch fire
(and live by love
although the stars
walk backward) 
honour the past
but welcome the future
(and dance your death
away at the wedding) 
never mind a world
with its villains or heroes
(for god likes girls
and tomorrow and
earth)  in spite of everything
which breathes and moves(...)


Mergulha nos Sonhos





mergulha nos sonhos 
ou um lema pode derrubar-te
(as árvores são as suas raízes 
e o vento é o vento) 

confia no teu coração 
se os mares se incendeiam 
(e vive pelo amor 
embora as estrelas desandem) 

honra o passado 
mas acolhe o futuro 
(e afasta a tua morte no bailado
deste casamento) 






não te importes com um mundo 
de vilões ou de  heróis
(pois deus gosta de raparigas 
e do amanhã e da terra)
apesar de tudo quanto

respira e mexe (...)






 (Tradução por Elsa Lo)

sábado, fevereiro 19, 2011

Da areia dos (meus) dias....


O principal defeito da vida é ela estar sempre por completar, haver sempre algo a prolongar. Quem, todavia, quotidianamente der à própria vida "os últimos retoques" nunca se queixará de falta de tempo; em contrapartida, é da falta de tempo que provém o temor e o desejo do futuro, o que só serve para corroer a alma. Não há mais miserável situação do que vir a esta vida sem se saber qual o rumo a seguir nela; o espírito inquieto debate-se com o inelutável receio de saber quanto e como ainda nos resta para viver. Qual o modo de escapar a uma tal ansiedade? Há um apenas: que a nossa vida não se projecte para o futuro, mas se concentre em si mesma. Só sente ansiedade pelo futuro aquele cujo presente é vazio. Quando eu tiver pago tudo quanto devo a mim mesmo, quando o meu espírito, em perfeito equilíbrio, souber que me é indiferente viver um dia ou viver um século, então poderei olhar sobranceiramente todos os dias, todos os acontecimentos que me sobrevierem e pensar sorridentemente na longa passagem do tempo! Que espécie de perturbação nos poderá causar a variedade e instabilidade da vida humana se nós estivermos firmes perante a instabilidade? Apressa-te a viver, caro Lucílio, imagina que cada dia é uma vida completa. Quem formou assim o seu carácter, quem quotidianamente viveu uma vida completa, pode gozar de segurança; para quem vive de esperanças, pelo contrário, mesmo o dia seguinte lhe escapa, e depois vem a avidez de viver e o medo de morrer, medo desgraçado, e que mais não faz do que desgraçar tudo. 


Séneca, in 'Cartas a Lucílio'

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

O amor é a minha sineta de Pavlov!

«(...)

Constato, pela primeira vez e com alguma violência, que o mundo contemporâneo não foi feito para mim. Ou que eu não fui feita para o mundo contemporâneo. Sinto - fulminantemente e obscuramente e dolorosamente - que a matéria de que sou feita não poderá resistir a um só dos maravilhosos planos que a civilização humana tem preparados para mim desde há séculos: ser mulher, mãe, trabalhadora, cidadã. Crente, protestante. Ser amiga, ser amante. Sou uma peça do puzzle que não encaixa, um produto industrial com defeito de fabrico. Tenho por dentro um intruso, um inimigo invencível. Estou à mercê de um predador implacável. Compreendam: eu não posso esperar pelo Natal para que possa dizer que vos estimo. Eu não posso esperar pelo fim das coisas para que possa dizer que vos desejo bem. Do que eu preciso é de um mundo onde possa citar Rilke sem correr o risco de ser internada. Onde possa viver livremente o meu romantismo sôfrego e vagamente idiota. Um mundo onde possa aparecer - sem livro para devolver, sem DVD para pedir emprestado - e dizer «Tudo, excepto tu, é rotina peganhenta»! 
Ouvir dizer «amo-te» era fácil, hoje já é mais complicado. Requer muito treino, não estamos preparados. Fomos educados para sermos acima de tudo eficazes. Nada nos foi dito na aula de descer abismos. Nada vem escrito nos livros que lemos. Tudo nos abala, nos confunde. Nos funde por vezes com o que, depois vemos, não é digno do nosso amor. 

Ah, o amor. O amor faz-se se houver tempo. O amor faz-se aos bocadinhos e só se convier. O amor faz-se na pausa para o café. O amor é uma aberração. O amor mete medo. Chega-te para lá com esse «adoro-te»! Não me venhas com esse «gosto de ti»! Cai-nos a PIDE do amor em cima, és apanhado e vais dentro. O amor quer-se preso pela trela. O amor quer-se de castigo no canto da sala. Pouca conversa, pouco barulho. O amor custa. Perde-se tempo e dinheiro. O amor está fora de moda. Não condiz com as batas brancas da biologia nem com os botões coloridos da tecnologia nem com a cor do papel dos contratos pré-nupciais. O amor é para meninos, ser-se crescido é outra coisa. O amor foi-nos confiscado. 
Não contem comigo. Eu não tenho jeito nenhum para ser a pessoa que todos esperam. Não tenho competência para ficar a ver o amor passar sem correr atrás. Compreendam: o amor é a minha campainha de Pavlov. 
Estímulo-resposta, como me foi explicado na escola de fazer profissionais. 
Eu não tenho jeito para telefonemas nem para passeios em centros comerciais. 
Não contem comigo para ser cão que ladra mas não morde. Não contem comigo para não dizer o que não é suposto. Para cancelar beijos, inventar pretextos, sufocar euforias, adiar alegrias. Para vos escutar em silêncio. 
Para vos poupar ao meu amor, não contem comigo. Compreendam: eu não me posso comprometer. »

Susana Cristina Marques Santos, in 'Textos de Amor – Museu Nacional da Imprensa'

domingo, fevereiro 06, 2011

2011: Ano Internacional do Voluntariado




Um Pouco Mais de Nós
Podes dar uma centelha de lua,
um colar de pétalas breves
ou um farrapo de nuvem;
podes dar mais uma asa
a quem tem sede de voar
ou apenas o tesouro sem preço
do teu tempo em qualquer lugar;
podes dar o que és e o que sentes
sem que te perguntem
nome, sexo ou endereço;
podes dar em suma, com emoção,
tudo aquilo que, em silêncio,
te segreda o coração;
podes dar a rima sem rima
de uma música só tua
a quem sofre a miséria dos dias
na noite sem tecto de uma rua;
podes juntar o diamante da dádiva
ao húmus de uma crença forte e antiga,
sob a forma de poema ou de cantiga;
podes ser o livro, o sonho, o ponteiro
do relógio da vida sem atraso,
e sendo tudo isso serás ainda mais,
anónimo, pleno e livre,
nau sempre aparelhada para deixar o cais,
porque o que conta, vendo bem,
é dar sempre um pouco mais,
sem factura, sem fama, sem horário,
que a máxima recompensa de quem dá
é o júbilo de um gesto voluntário.

E, afinal, tudo isso quanto vale ?
Vale o nada que é tudo
sempre que damos de nós
o que, sendo acto amor, ganha voz
e se torna eterno por ser único e total.

José Jorge Letria


terça-feira, janeiro 11, 2011

A velha aliança ou Yes, Mr. Ambassador!

A Velha Aliança ou Yes, Mr. Ambassador!
O casamento de D. João I com Filipa de Lencastre marcou o início
da mais antiga aliança diplomática entre dois países, assinada em
1337, em plena Idade Média e ainda em vigor

«Coisas que nunca deverão mudar em Portugal»*
Portugueses: 2010 tem sido um ano difícil para muitos; incerteza, mudanças, ansiedade sobre o futuro. O espírito do momento e de pessimismo, não de alegria. Mas o ânimo certo para entrar na época natalícia deve ser diferente. Por isso permitam-me, em vésperas da minha partida pela segunda vez deste pequeno jardim, eleger dez coisas que espero bem que nunca mudem em Portugal.


1. A ligação intergeracional. Portugal é um país em que os jovens e os velhos conversam - normalmente dentro do contexto familiar. O estatuto de avô é altíssimo na sociedade portuguesa - e ainda bem. Os portugueses respeitam a primeira e a terceira idade, para o benefício de todos.

2. O lugar central da comida na vida diária. O almoço conta - não uma sandes comida com pressa e mal digerida, mas uma sopa, um prato quente etc, tudo comido à mesa e em companhia. Também aqui se reforça uma ligação com a família.

3. A variedade da paisagem. Não conheço outro pais onde seja possível ver tanta coisa num dia só, desde a imponência do rio Douro até à beleza das planícies do Alentejo, passando pelos planaltos e pela serra da Beira Interior.

4. A tolerância. Nunca vivi num país que aceita tão bem os estrangeiros. Não é por acaso que Portugal é considerado um dos países mais abertos aos emigrantes pelo estudo internacional MIPEX.

5. O café e os cafés. Os lugares são simples, acolhedores e agradáveis; a bebida é um pequeno prazer diário, especialmente quando acompanhado por um pastel de nata quente.

6. A inocência. É difícil descrever esta ideia em poucas palavras sem parecer paternalista; mas vi no meu primeiro fim de semana em Portugal, numa festa popular em Vila Real, adolescentes a dançar danças tradicionais com uma alegria e abertura que têm, na sua raiz, uma certa inocência.

7. Um profundo espírito de independência. Olhando para o mapa ibérico parece estranho que Portugal continue a ser um país independente. Mas é e não é por acaso. No fundo de cada português há um espírito profundamente autónomo e independentista.

8. As mulheres. O Adido de Defesa na Embaixada há quinze anos deu-me um conselho precioso: "Jovem, se quiser uma coisa para ser mesmo bem feita neste país, dê a tarefa a uma mulher". Concordei tanto que me casei com uma portuguesa.

9. A curiosidade sobre, e o conhecimento, do mundo. A influência de "lá" é evidente cá, na comida, nas artes, nos nomes. Portugal é um pais ligado, e que quer continuar ligado, aos outros continentes do mundo.

10. Que o dinheiro não é a coisa mais importante no mundo. As coisas boas de Portugal não são caras. Antes pelo contrário: não há nada melhor do que sair da praia ao fim da tarde e comer um peixe grelhado, acompanhado por um simples copo de vinho.

Então, terminaremos a contemplação do país não com miséria, mas com brindes e abraços. Feliz Natal.

Caso para dizer, Yes, Mr. Ambassador! Way to go! ;)

* Mensagem do, então, embaixador do Reino Unido, ao deixar Portugal (publicado no Jornal Expresso, em 18/12/2010)





quinta-feira, dezembro 17, 2009

(Carregar aqui!)


Still wondering what to give for Xmas?... Think no more and GIVE NOW!
Find out where in your country can you become a bone marrow donor...thousands of people worlwide will certainly have the happiest Xmas ever!
*********************
Ainda na dúvida acerca daquele presentinho de natal?...Chega de hesitações e DÊEM!
Descubram neste site qual o local indicado, no v/ país, para se tornarem dadores de medula óssea...milhares de pessoas no mundo inteiro sentirão este Natal como o melhor de todos os tempos!

I did it!...why in the world are you waiting for???
Eu já me increvi!...de que é que estão à esperaaaaa???

sábado, dezembro 12, 2009

Dos pallhaços que nós somos...



Afinal estamos todos talhadinhos para a vida de circo! Grande editorial do «i», muitos parabéns Martim Avillez Figueiredo - sempre nos vale o 4.º poder que os outros 3, para mal do Montesquieu, já eram há muito neste projecto de País!!

domingo, novembro 01, 2009

Até que o tempo e a morte tudo decidam irremediavelmente por nós.

De quanta imaginação não é feita uma vida para se compensar o que se não realizou! Já todos o sabemos e nunca ninguém o sabe. Se fosse coisa de se saber, não havia maníacos da droga, do fumo ou do álcool. Projecta-se milimetricamente uma reacção a ter, uma ofensa a vingar, uma desconsideração a menosprezar, uma conquista a fazer. E sai sempre outra coisa: nem nos vingamos porque se interpôs uma fraqueza, nem menosprezámos a desconsideração porque nos menosprezaram o nosso menosprezo, nem conquistámos nada porque amanhã é que é. Mas falhada a nossa reacção, logo congeminamos de novo efectivá-la e com acréscimo de efeito. Até que o tempo e a morte tudo decidam irremediavelmente por nós. E acabamos por achar que decidiu bem, porque o mais fácil de resolver é sempre o não resolver.

Vergílio Ferreira, in Conta Corrente 3

quarta-feira, outubro 14, 2009

CIRCO DE FERAS


Defender animais no circo não é fácil. O que devolve tudo às origens de uma boa discussão - o espaço de liberdade entre aqueles que querem e os que rejeitam

«A Associação Europeia de Circos quer processar o Estado português. Faz bem. A aplicação (ainda que bem intencionada) da directiva europeia que impede a criação e reprodução de animais em cativeiro viola outros direitos. Não é fácil defender a ideia que se segue, e o circo com animais em particular, mas vamos por partes.
Primeiro: esta história que agora rebenta em Portugal tem na base uma directiva europeia que não faz pontaria aos circos em particular. O que essa decisão comunitária quer impedir é a criação e a reprodução de animais em cativeiro. Parece sensato, sobretudo quando abre excepção aos jardins zoológicos e instituições científicas. A directiva atinge os circos porque estes são clientes dessas instituições (ou empresas) que vendem animais amestrados - sejam leões que saltam rodas de fogo ou elefantes que dançam ao som da valsa. De todos os países europeus, apenas a Áustria (em 2005) aplicou a directiva - e logo a associação europeia de circos abriu uma frente de batalha para incluir os circos na lista de excepções. O provedor europeu deu razão à gente do circo, mas logo as ligas de protecção dos animais combateram a decisão. E assim se chega a Portugal, onde se percebe que a lei não ataca os circos mas anuncia-lhes o fim. Isto é, se não podem criar animais ou comprar a quem os cria - nem permitir que os que detêm se reproduzam - os espectáculos com animais terminam. E então? O Cirque du Soleil, estudado hoje em universidades de gestão, mostra bem como o espectáculo pode viver sem animais. Pode. Mas o sucesso de um modelo de circo não deve ameaçar a existência de outros. Complicado?
Segundo: o circo com animais é um negócio que, em 2007, gerou 287 mil espectadores. Menos 11 mil do que as corridas de toiros, por exemplo. Ou mais 87 mil do que um espectáculo de dança moderna. Em euros, rendeu 800 mil e gerou cerca de 100 empregos por cada circo. Isto para dizer: não é aquela coisa pelintra que alguns supõem. Tem mesmo bons exemplos de gestão, como sucede com Victor Hugo Cardinali, proprietário do Circo Cardinali. Paga bem aos seus artistas (cerca de 400 euros por dia!). Pelo que sobra o essencial: protecção dos animais. Terceiro: a melhor forma de tomar posição sobre estes assuntos é explicar que a liberdade só deve ser travada quando interfere com a liberdade de outros - mas aqui entra a argumentação dos activistas animais: viola a destes. Também é fraco o argumento de que se criam e abatem animais para comer. Isso, dizem, cumpre funções de sobrevivência. Sucede que a lista de bens necessários à vida não se resume aos de sobrevivência - existem milhares de pessoas que nunca terão a oportunidade de experimentar a coragem de um domador, ou olhar de perto um leão em acção, se não forem ao circo. Pouco? Talvez. Mas quem ama o circo, e conhece a sua gente, sabe que por lá não se violam direitos de animais. Gere-se um negócio pelo qual outros estão dispostos a pagar. Também a droga, argumenta- -se. Pois. O que devolve tudo ao início - não é simples defender animais no circo. O que é simples é dar uma opinião. A minha? Mantenha-se. Não há espectáculo mais bonito do que um bom número de circo!»
Martim Avillez Figueiredo in Jornal i, http://www.ionline.pt/conteudo/27804-que-grande-circo