sexta-feira, julho 13, 2007

A Pátria Honrai que a Pátria vos Contempla


Caríssimos co-emigrantes da RAEM: serve este post como desabafo e, simultaneamente, como repto!

Com o devido respeito, deixai-me dizer-vos, em jeito de reprimenda, que se há coisa que sempre me confundiu os sentidos em Macau foi esta tendência, que quase diria inata, para nos atacarmos uns aos outros...

Nunca conheci comunidade emigrante como a nossa...e porquê, perguntei-me tantas vezes e ainda me questiono... ou melhor para quê???

Logrei ter conhecido mais "caloiros de Macau" nos quais me incluo, de resto, do que amigos da "velha guarda", mas acabei também por coleccionar uns quantos...

A verdade, contudo, é que sendo nós sangue novo, nunca compreendi muito bem o porquê da nossa "apatia", da nossa "letargia" e da nossa mania de criticar tudo e todos incluindo Portugal...

Não estará já na hora de nos unirmos e fazermos por Macau e por nós em Macau??

É fácil apontar o dedo aos actuais governantes e mostrar as gritantes azelhices, assim como também é fácil apontar o dedo aos nossos quando lá estiveram, mas e nós que cá estamos, hic et nunc??

Que fazemos?
Dizemos mal uns dos outros em cafés e escritórios?!

Não podemos esquecer-nos que estamos numa terra que não é a nossa e que é graças aos chineses, que ora nos fazem rir, que ainda que cá estamos!

Quanto a mim, enquanto mantivermos esta nossa mentalidade, típica das ancestrais cantigas de escárnio e mal dizer, não me parece que fiquemos aqui como deve ser...

Meus Senhores, ao menos para honrar o bom nome dos nossos igrégios avós, deixemo-nos de pelejas pessoais, que como dizia o outro, é a união que faz a força!

Macau precisa dos portugueses, mas precisa também de exemplos urgentes....de bons exemplos...

Ora se nós que somos tão poucos nos entretemos em digladiações do "diz que disse" que raio fazemos nós aqui, afinal? Ganhamos o nosso dinheirinho e o resto que se lixe!?
Que cidadãos do mundo somos nós afinal, se nos comportamos como uns provincianinhos de meia-tigela?

Só me apetece gritar como o meu douto Professor de Introdução ao Direito na vetusta UC:
_Irrrrrrrrrrrrrrrra, que espiga!

P.S. Tudo isto, a propósito dos comentários num post do blog do Leocardo, a saber: http://leocardoemmacau.blogspot.com/2007/07/cuidado-com-o-yuan.html

16 comentários:

Vitório Rosário Cardoso disse...

"Quem não é patriota, não pode ser um bom Português"
Hão-de ser combatidos por todos os meios, aqueles que atentam contra Portugal e os Portugueses, pois não será mais do que o nosso dever como Povo e como Nação desta Pátria Lusitana quase milenar, assegurar e conservar o nosso Bem Comum.

Yāt go yàn 一個人 Yī gè rén disse...

caro vitório, permita que lhe agradeça, antes de mais, a respeitosa visita! Benvindo!
Já quanto ao comentário, vai perdoar-me, mas não sou, de facto, uma nacionalista exacerbada...
Estimo a minha Pátria,mas sem lugar a fundamentalismos...
No mundo em que vivemos parece-me, alémde despropositado, pouco salutar...
Prefiro pensar numa realidade mais abrangente e dar lugar à tolerância e ao respeito mútuo que sempre é mais saudável!
Já em tempos disse,parafraseando Pessoa, que a minha pátria é a língua portuguesa! Essa defendo aguerridamente, como posso, o melhor que julgo saber...
Da nossa história, guardo viva a memória, mas não ignoro a nossa dimensão, geográfica e não só...
E termino com um provérbio latino que, quanto a mim, traduz na perfeição o meu raciocínio e reza assim:"Ne sutor ultra crepidam" (não vá o sapateiro além da chinela!)
Bem haja!

Anónimo disse...

que chatos!

Vitório Rosário Cardoso disse...

Ilustre,

Amar-se a Pátria não é ser-se "nacionalista exacerbada", nem sendo "nacionalista exacerbada" é sinónimo de ser-se contra alguém, mui pelo contrário, é "Ser-se a favor de alguém, e esse
alguém, tem o nome de Portugal". Na mais antiga tradição da doutrina nacionalista portuguesa que se alia à épica Camoniana, a Fernando Pessoa, ao Integralismo Lusitano, que nasceu dos mestres como António Sardinha, Alfredo Pimenta, Alberto Monsaraz, Pequito Rebelo, Hipólito Raposo, Almeida Braga, com apoiantes como Sidónio Pais, Barrilaro Ruas, entre outros, os valores da "tolerância, ao respeito mútuo" são a ela (doutrina nacionalista portuguesa) intrínsecos.
Creio que, infelizmente, desde o 25/4 foi implantada na mente de grande parte da população nacional a confusão tremenda de se associar o nacionalismo português às doutrinas políticas ESTRANGEIRAS como o Nacional-Socialismo e Fascismo, que são de base revolucionária e não conservadora.
É-se ensinado que é pejorativo, amar, admirar e por Ela (Pátria) lutar, e ensina-se que somos um tudo e nada ao mesmo tempo, como a vazia palavra de "Cidadão do Mundo", que muito serve à ofensiva Internacionalista.
Daí que não é o Internacionalismo que serve Portugal, mas sim o Universalismo - "O Mundo todo abarco, e nada aperto", Luís Vaz de Camões.

Sobre a dicotomia Esquerda/Direita, acrescento que o que está mal na Esquerda não é a prática mas sim a Ideia em si, que atenta contra a Liberdade (Liberty - Da tradição de Edmund Burke).

Muito obrigado pelas boas vindas e parabéns pelo blogue, subscrevo as palavras sobre as guerras intra-comunidade nacional, pois temos de ter consciência que os primeiros a atirar a pedra, nunca são aqueles que têm como valor supremo a Pátria (Terra)e a Nação(Sangue) a que pertencem, mas sim aqueles que da grandeza de Portugal não lhes diz nada, muito menos se sentem portugueses. Já Camões dizia até "Alguns traidores houve algumas vezes".

Assi sã Portugal

Saudações,

Ps- Se for a Londres visite a exposição "We were there" http://www.wewerethere.mod.uk/

"It has also helped to promote better understanding between communities by showing how men and women from Africa, Asia, the West Indies and other Commonwealth countries fought and served alongside British forces during many major conflicts.
For students of history and citizenship, the exhibition offers a wider and more inclusive perspective of our military past. It demonstrates how people from different religions, races, and cultures came together at times of great social, political, military and geographical change TO help CREATE and then DEFEND the BRITISH EMPIRE and democratic freedom."

Leocardo disse...

E quem é de extrema-direita, com todas as consequências que isso acarreta, porque não se assume como tal? Já agora ser de extrema-direita é tão mau como ser de extrema-esquerda, caso tenha iludido alguém em erro...

Vitório Rosário Cardoso disse...
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Vitório Rosário Cardoso disse...

Caro Leocardo,

Depois deste tempo todo de "debates" consigo, mais ou menos mornos ou mais ou menos quentes, há reparos que não vou poder deixar de lhe fazer. Sinto em si uma falta gritante de cultura política em termos de Ciência Política, para assim poder opinar com propriedade, sobre Política (Politics e não Policies).

Creio que faria muito bem ao Leocardo, instruir-se nesse campo, até para que os debates se tornem mais profícuos, que sejam debates com sentido e que faça boa figura.

Antes de terminar, gostaria de lhe fazer outro reparo, que essa sua percepção das extremas politico-ideológicas, está intimamente relacionada com o seu próprio centro (de gravidade) no eixo do quadrante político.

Recomendo-lhe que faça este teste, e descubra afinal como é que REALMENTE se define no espectro politico-ideológico.

http://www.politicalcompass.org/

Um segundo exercício, que lhe peço, é definir em primeiro lugar, cientificamente o conceito de extrema-direita. Em segundo, o que é para si a extrema direita e compare com a primeira. Terceiro, como é que Extrema-Direita se fundamenta, qual ou quais a(s) sua(s) doutrina(s)? E cite alguns exemplos práticos.

* Tenha em conta a divisão ideológica de matriz Revolucionária e Conservadora (não diga que não o ajudo).

Mais uma vez, fica-lhe bastante mal andar por aí a fazer insinuações, seja frontal e se quiser fazer acusações, que as faça com fundamento e propriedade. Sei aquilo que sou e do que não sou, de tal forma que estou bastante seguro para lhe responder adequadamente e à altura.

Saudações,

De Lisboa - Antiga Capital do Império, a Sexta-feira, 13 de Julho de 2007

Vitório Rosário Cardoso disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vitório Rosário Cardoso disse...

Cara Elsa Rodrigues,

Acima de tudo, creio que deveremos ser sensatos, e uma vez que Macau deixou de ser solo português (à excepção de uns quantos metros quadrados, continua como solo em português, por isso), é importante que a Comunidade Nacional se una, justamente por serem todos Portugueses, com a Pátria Portuguesa em comum (Do Bem Comum).
Para os que são recém chegados a Macau, este enclave, apesar de ser pequeno territorialmente, é bastante grande de alma, cultura e património (De pedras e pedras vivas). É importante que se tente compreender os hábitos locais, suas tradições, crenças, hábitos e filosofias. Devido a toda esta riqueza e complexidade, deveremos ser serenos e nunca tirar conclusões precipitadas ou então superficiais, pois o encanto de Macau, é ser ainda mais belo do que transparece, requer observação, estudo, compreensão, abstracção dos preconceitos ou "Pre-Conceitos" (em filosofês) trazidos da natural formação "outrora" metropolitana.

Da Comunidade Portuguesa local (os Macaenses) muitos já desistiram de se relacionar com os que vêm do "Rectângulo" (e se vão no dia seguinte), tudo devido às atitudes arrogantes e preconceituosas, sem o mínimo de fundamento, ou porque como todos sabemos poder-se-á relacionar-se com a árvore das patacas (colhem umas quantas e piram-se). Por isso, não vale o "investimento amistoso" (nunca estranhou que a Comunidade Macaense a «Portuguesa de Macau» não tem por hábito conviver em família (em casa)com os tais compatriotas vindos do Atlântico? Salvo excepções, claro). O que não quer dizer que o tratamento não seja cortês e prestável, mantém-se uma certa distância.
Para mim, quando atacam a Comunidade Portuguesa local, a Comunidade Macaense na sua dignidade e no seu orgulho nacional (português), é natural que como membro dela, nunca me fico, até pelo relacionamento "familiar" que temos, talvez seja um certo tipo de bairrismo muito português (veja-se o exemplo das manifestações contra o Museu Salazar em Santa Comba, os populares só replicavam aos manifestantes com simples palavras como "vá prá sua terra, e não chateie a gente que é de cá").

Quem vier por bem, é sempre bem vindo.

Temo, que hoje em dia as pessoas do "Rectângulo" estejam a perder certas qualidades mui nossas dos 500's, a sensibilidade e inteligência, que fez de nós responsáveis dos destinos do Mundo.

Pessoalmente, entendo-vos (que vêm do "Rectângulo") bem, uma vez que passo muito tempo em Lisboa, posso dizer que conheço, sei exactamente os pontos fortes e pontos fracos, mas também acrescento que, também no "Rectângulo", há pessoas excepcionais que ainda preservam as tais qualidades dos Quinhentos, que na maioria fazem parte das "contra-elites" (quando falamos em termos de estudo das elites) salvo, outras excepções vindas da elite.

Em breve disponibilizarei on-line o vídeo de uma tertúlia sobre a geopolítica nacional e a análise das elites (e contra-elites) na relação com os destinos do Estado Português.

Saudações,

Yāt go yàn 一個人 Yī gè rén disse...

Caro vitório,cá aguardo o publicitado vídeo!
Quanto ao que disse, subscrevo inteiramente e acrescento que sempre dei o melhor de mim em Macau, por mim e por nós portugueses em Macau!
Conheço macaenses, chineses, portugueses das nova e velha guarda e sempre fui muito bem recebida...
O que mais me custou não foi adaptar-me a uma realidade bem diferente da minha, repare bem. Sempre fui uma pessoa muito aberta e tolerante, valores que me foram transmitidos desde muito nova,sendo eu própria fruto de um casamento multicultural -a minha mãe é caboverdiana e o meu pai português da Guarda!
O macaense é como o caboverdiano uma raça particular,com que me identifico especialmente. Aliás o patuá é praticamente igual ao crioulo que se fala em Cabo Verde e que aí se mantém bem vivo, ao contrário do que sucedeu em Macau...
O que me assustou em Macau,não foram portanto os macaenses,nem os chineses, bem entendido...foram os "nossos", entende?
A nossa comunidade em Macau é que deixa muito a desejar, a começar pelo termo "comunidade" que nem seuqer deveria aplicar-se no sentido literal!
Arrumamo-nos (ou arrumam-nos) em guetos,logo que chegamos e assim permanecemos como se fossemos sardinha enlatada! Há o gueto dos jornalistas, dos arquitectos, dos engenheiros, dos professores, dos "contactos", dos juristas, dos advogados,dos alternativos etc, etc.
Conheci pessoas interessantes em quaisquer desses grupos e por isso os interroguei e me questionei bastas vezes o porquê do "apartheid intra-luso"...
Nunca obtive resposta satisfatória nem esgares de preocupação com isso, até porque a crítica estava ali à mão de semear e dava menos trabalho aos neurónios!
A verdade,contudo,pelo que pude perceber, é que este nosso "regresso" a Macau,além de ter um background obviamente histórico, serviria supostamente um outro propósito mais pragmático: prestar apoio na reconstrução de uma Macau,dentro da lógica defendida pela lei básica-um país dois sistemas.
Mas não nos vejo neste papel,nem agora,nem nos tempos que se avizinham...
Vejo outras comunidades estas verdadeiramente unidas, como os recém-chegados ingleses, americanos, entre outros,os quais, pese embora o "interesseirismo",sempre se mantêm fiéis aos seus e à sua pátria...
Nós não só negligenciamos o nosso passado,a torto e a direito, como apontamos o dedo aos chineses,por tudo e por nada e,por cima,tratamo-nos mal uns outros...
Volto a repetir,até que a voz me doa...podemos ser ricos em experiência noque toca a leis, andaimes,jornais e currículos escolares, mas em termos de conduta? A dar o exemplo?... somos, de facto,pobres...paupérrimos!
E é uma pena!

Vitório Rosário Cardoso disse...

Caríssima Elsa,

Adorei o seu comentário!
Revejo-me na íntegra das suas observações.
A verdade é que através do seu comentário, percebe-se a sua nobreza de carácter, herdeira das virtudes e qualidades dos nossos grandes de Portugal. É uma pessoa que tem a tal sensibilidade, tacto e poder de observação, que hoje em dia, num mundo globalizado é muito importante ter-se.

Sabe, isso dos guetos, sabe o que quer dizer? Quer dizer, que são tão maus, que ninguém quer saber deles... E se grande parte dos "expatriados" do Portugal Continental que estão em Macau são de esquerda-caviar-anti-colonialists-que-tratam-os-macaenses-como-se-de-chineses-fossem, não têm outra solução senão a de andarem a conviver sozinhos, pois todos os demais, estar-se-ão nas tintas para eles.
Muitos desses ilustre-armados-em-elitistas-quando-em-Portugal-continental-não-têm-onde-cair-mortos-sendo-uns-simples-Zés-Ninguéns, julgam que podem em Macau fazer a re-Fundação da sua vida, tornando-se em novos Príncipes, Príncipes esses adquiridos pela fortuna ou manha, logo constituirão "principados-frágeis-e-virtuais" difíceis de conservar.
Tudo para dizer que vivem numa perfeita ilusão.
Logo, havendo em Macau, devido à sua pequenez territorial, várias Pólis, vida nas Cidades, a Política para os seus autores vivem-na inflacionada, ou seja têm uma projecção que não corresponde à realidade, e enchem-se de arrogância.

Tenho a sorte de ter amigos e um círculo de amigos, aqui da outrora capital do Império, que justamente herdaram as qualidades e virtudes dos seus antepassados que fundaram Portugal e humildemente, imbuídos de coragem, arte e engenho fizeram-se ao Mar, às Descobertas, pessoas de nobreza de carácter! Nunca precisei de explicar muito Macau e o seus modus vivendi, para logo compreenderem.

Em Macau, fico sempre chocado, quando vejo gente (metropolitana) pseudo-elitista (no que toca ao estudo das elites, existem as elites e as contra-elites, e nem sempre uma ou outra tem o significado de qualidade, ou seja pertencem à aristos crácia - poder dos melhores, dos mais válidos), quando não passam de patos-bravos, ou meninos-do-papá-armados-em-chungaria.

Caríssima Elsa, nestas suas linhas, li de facto a sua alma, que desde já não é pequena, e está apta para contribuir para o sucesso de Portugal e do Espaço Lusófono, no ano 2030! Temos de nos formar e educar mais duas gerações, para que de facto se quisermos ver um futuro brilhante para Portugal e os Portugueses.

http://passaleao.blogspot.com/2007/07/i-tertlia-do-ncleo-infante-dom-henrique.html

"O Mundo todo abarco e nada aperto"

Saudação Armilar,

Vitório Rosário Cardoso disse...

A reter!
- Para as Descobertas, foi apenas uma elite escolhida a dedo, não foi a horda que embarcou, temos de ter isso em conta, pois temos é de voltar a trocar essa horda (hoje) pela contra-elite, porque a elite (que já foi contra-elite) esteve e está há mais de 30 anos perdida.

Anónimo disse...

Cara Elsa, subscrevo tudo aquilo que disse sobre a nossa tão querida "comunidade" portuguesa.. nunca vi tanta podridão junta.

Caro Vitorio, tanta informação e tão eloquente prosa torna o seu discurso aborrecido.. e com essa mania que sabe tudo torna-o irritante e prepotente. Sugiro-lhe que seja mais conciso nos seus pensamentos, talvez assim ninguém se perde neles nem talvez o próprio Vitório se perderá. E um pouco de modéstia não lhe ficava nada mal.

Com os meus melhores cumprimentos aos dois.

Vitório Rosário Cardoso disse...

Caro Anónimo,

Isso da mania de que sei tudo, seria imprudente eu afirmar, pois estaria a delimitar os meus conhecimentos. Para quem aspira o infinito, não poderá haver limites.

Saudações,

Anónimo disse...

Não há cu que aguente...

Anónimo disse...

:) NEM MAL QUE SEMPRE DURE ...