quinta-feira, outubro 12, 2006

As cordas da saudade


Anda-se tanto na quietude milimétrica dos passos... mais um dia adiado, não me apetece nada, nem sequer lutar por ti. Apetece-me ir dormir e ainda falta tanto... Amo-te tanto que só te quero esquecer!
Ando com a alma pesada até aos pés. Deve ser por isso que me arrasto, pesa-me o corpo todo. Desconfio que há horas que o coração nem sequer respira. Tenho saudades tuas, tantas. Tenho saudades minhas, que já não me encontro à tanto tempo. Não tenho saudades do passado porque o passado nunca foi. Tenho saudades tuas desde sempre, porque nunca chegaste sempre que eras para vir. Toda a vida são saudades adiadas...
E dou por mim sentada no anfiteatro em frente ao mar, mais revolta que a espuma que incendeia a praia, e a saudade sentada ao meu lado, a entoar a Balada de Outono...
Sinto em mim o gemido que lhe dói. As veias pulsam nas cordas da guitarra portuguesa, e ela chora por mim tudo o que me nega.
Revisitada pela alma de Coimbra, pela alma do meu país, alguém falou por mim. Ainda que em colcheias. Com a música nas palavras que não soubemos dizer, aprendemos o que é saudade. E o coração chora a tristeza miudinha junto ao peito de não te ter por mais tempo a falar por todos nós, o que não sabemos dizer.

2 comentários:

maria g. disse...

há sempre alguém que nos diz tem cuidado,
há sempre alguém que nos faz pensar um pouco,
há sempre alguém que nos faz falta...
ahhh saudade!

Anónimo disse...

Parabéns pelo BLOG.
O http://almadecoimbra.blogspot.com
Passou por aí deixando mais Saudade.
Força, minha cara amiga.
Um abraço Português.